Mamãe tinha muita vontade de aprender a dirigir. Meu pai, muito "didático" um dia na fazenda se ofereceu para ensinar a arte de conduzir um veiculo automotor, isso lá pelo início dos anos 70. Uma tarde muito ensolarada, mamãe, se arruma, coloca uma roupa confortável e vai com meu pai a sua primeira aula, numa Veraneio Chevrolet vermelha, carrão, marcha Royal, para quem não sabe é aquela que fica próxima ao volante.
Papai não era nada paciente, e com a primeira aula, os sustos, até que mamãe colocou o carro no acostamento e quase sai da estrada carroçal, após uns 30 minutos de aula ela, mamãe, se zanga e entrega o volante ao seu instrutor, e fez uma jura - só volto a aprender a dirigir quando puder comprar meu próprio carro. A decepção de aprender com o seu esposo foi enorme, papai não tinha jeito algum para essa tarefa. Ficou chateada com a forma que papai reclamou, ele queria que ela estivesse perfeita na primeira aula.
Após a morte do meu pai, ela ficou sem o seu motorista para todas as horas, dos oito filhos, cada um para o seu lado e seus afazeres. O que fez, no primeiro momento contratou um motorista, o veículo que tínhamos em casa já não era lá essas coisas, sempre difícil a vida, mesmo assim ela entrou num consórcio. Em 1992 ela foi contemplada no bendito consórcio, um Gol novinho, ai ela foi fazer umas aulas na auto-escola. Se inscreveu, fez, acredito que umas 5 aulas. Antes mesmo de fazer o teste no Detran, ela teve uma urgência pra resolver em Boa Viagem, ela morando no Bultrins, procurou o motorista ele não estava. Mamãe sempre muito determinada, buscou as chaves do seu Gol zerinho, zerinho, entrou na garagem ligou o carro e foi para seu compromisso. Quase chegando no destino, ela se meteu num engarrafamento entre um ônibus e um caminhão de bebidas. O que aconteceu? Bateu o carro no lado direito e esquerdo ao mesmo tempo. Mandou para oficina, após reparado os danos, bateu na frente , na traseira, nos lados no teto, onde podia ela tinha uma história pra conta de batidas, mas aprendeu e tornou-se uma ótima motorista.
Depois de aprender, trocou o seu Gol por outro carro e dai em diante não teve mais histórias de colisões pra contar.
Essa é minha homenagem a minha mãe querida que nos deixou há dez anos, e tenho certeza que deve estar rindo desse meu modo de homenageá-la, beijos mamãe.
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